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Por que você não consegue sustentar o que começa?

  • Foto do escritor: Marcelle S. Araujo
    Marcelle S. Araujo
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

Constância não é fazer tudo todos os dias.

Constância é conseguir sustentar algo sem se violentar no processo.


No início do ano, muitas mulheres se percebem frustradas consigo mesmas, carregando a sensação de que “não conseguem manter nada”. Essa autocrítica costuma vir acompanhada de culpa, comparação e pensamentos de incapacidade. No entanto, na prática clínica, o que mais aparece não é falta de disciplina — é excesso de cobrança.


Quando planos são criados a partir de expectativas irreais, desconsiderando limites emocionais, físicos e contextuais, o abandono deixa de ser falha e passa a funcionar como uma forma de proteção. O corpo e a mente sinalizam que aquele ritmo não é sustentável.


A dificuldade em sustentar não fala sobre fraqueza.

Fala sobre uma lógica baseada na intensidade, no tudo ou nada, no “agora ou nunca”.


Na psicoterapia, esse olhar começa a se transformar. O foco deixa de ser a exigência de constância perfeita e passa a ser a construção de um caminho possível, que respeite quem a pessoa é hoje. Isso envolve aprender a:


  • ajustar o ritmo sem culpa;

  • compreender recaídas como parte do processo, e não como fracasso;

  • diferenciar desistência de necessidade legítima de pausa;

  • construir hábitos que possam ser sustentados ao longo do tempo.


Cuidar de si também é aprender a continuar, mesmo quando é preciso diminuir o passo.

E, muitas vezes, a verdadeira constância nasce quando a cobrança dá lugar à escuta.



A terapia oferece um espaço seguro para compreender esses padrões, aliviar a autocrítica e construir formas mais gentis e consistentes de seguir em frente — sem violência interna, sem exigências irreais, com mais presença e cuidado.

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